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Coco Raízes de Arcoverde organiza financiamento coletivo

AGÊNCIA BRASIL



A influência negra e indígena e a vivência com coquistas de Alagoas e do Maranhão influenciam diretamente no ritmo do Coco Raízes de Arcoverde, fundado por Lula Calixto e pelas irmãs Lopes em 1992, na cidade de Arcoverde, no agreste pernambucano . A potência musical do grupo ficou conhecida no estado, no Brasil e no exterior, se apresentando na Itália, Bélgica e Alemanha com o som da batida dos tamancos de madeira feitos por Lula, acompanhados pelo pandeiro, surdo e triângulo. O grupo foi precursor do ritmo e uma grande inspiração para os vários grupos de coco que existem no estado e também de outros ritmos, como o grupo Cordel do Fogo Encantado, também fundado em Arcoverde. 

Desde quando o grupo se mostrou como uma referência musical e de cultura na região, a família Calixto tem tirado seu sustento a partir das apresentações e shows, oficinas e da venda de CDs. O próprio São João da cidade atrai milhares de pessoas para o Palco do Coco, que sempre fica no Alto do Cruzeiro, onde o grupo tem um ponto de cultura. Com a crise e os recorrentes cortes de verba para a cultura, o grupo tem enfrentado dificuldades para se manter. Despesas básicas como água, luz, internet e aluguel, já que a sede do grupo, onde acontecem as oficinas e ensaios, que acontecem há anos, ainda é alugada, estão atrasadas e o grupo corre o risco de ser despejado do imóvel. Mesmo com a visibilidade e referência internacional que o grupo tem, não há nenhuma iniciativa do poder público no sentido de preservar a memória e cultura do Coco Raízes. 

Atualmente, o grupo incentiva uma iniciativa de solidariedade de fãs e apoiadores na tentativa de arrecadarem o valor de R$ 30 mil para quitar as dívidas do imóvel e reformar o ponto de cultura para que se torne um espaço ainda mais movimentado com cursos e oficinas, dando mais independência financeira e evitando que a situação volte a acontecer. 



Intitulada com a hashtag #NossaSede, a campanha conta com uma equipe de voluntários de todo o Brasil. Idealizada a partir do financiamento coletivo pelo site Catarse, a campanha possibilita que as doações recebidas pelo grupo se transformem também e em brindes e pacotes de oficinas e cursos com o grupo. A campanha se concretizará em quatro passos, sendo eles a quitação da dívida, reforma da Sede, capacitação do grupo para educação financeira e produção cultural e a última etapa é a reabertura da sede. As contribuições variam de preço. Quanto maior o valor, maior é o brinde que será recebido. A contribuição mínima, chamada “Foi nos braços de mamãe!” é de R$ 15, onde o doador terá seu nome escrito na Sede, e a maior, “A vida tava tão boa” custa R$ 1000, onde o doador tem direito a um pocket show para um grupo de amigos.

Do valor total, R$ 17.478 já foram arrecadados a partir de 269 doações de pessoas de Recife, São Paulo e cidades fora do país, como Montreal, no Canadá e Marselha, na França. Esse valor quitaria apenas as dívidas, que é o primeiro passo da campanha. A três dias da finalização da arrecadação no Catarse, Iran tem esperança de que o grupo conseguirá bater a meta “Eu tenho uma esperança muito grande de que a gente vai conseguir. Agora, se a gente não conseguir vai dar pra resolver a dívida, mas não vai dar pra fazer o que a gente estava querendo, que é organizar atividades, reformar a sede.” 

O grupo completa 20 anos esse ano, e a reorganização da Sede seria um momento de comemoração e um marco para a família Calixto e para todos e todas que valorizam a cultura popular pernambucana. 

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