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Organizadores lamentam proibição da parte profana da Festa da Lavadeira



Organizadores culturais da 31ªFesta da Lavadeira, que acontece nessa terça-feira (1), na  reserva do Paiva, lamentaram, mais uma vez, a não realização da parte profana do evento, por determinação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), com apoio da  Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho. Em audiência realizada  naquela cidade, na  Promotoria  dos Direitos Humanos e Cidadania, no último dia 12 de abril, ficou decidido que a partir do próximo ano, as festividades voltarão para a Praia do Paiva e terão apenas caráter religioso. Criada em 1987,  em outubro de 2009 foi considerada Patrimônio Imaterial e Cultural do Estado de Pernambuco, através da Lei 13.896. 

Para o produtor cultural Eduardo Melo, um dos fundadores do evento,  “como festa, a da Lavadeira era completa, semelhante à de Nossa Senhora da Conceição, padroeira  do bairro de |Casa Amarela. Atraia romeiros, turistas de vários estados, muita gente. Em se tratando de festa, ela era completa, enquanto popular, com apresentações do lado profano e do lado religioso. Na minha opinião o propósito dela sempre foi a valorização da cultura popular, com exibições de grupos de matizes africanas. Antes de se tornar patrimônio do povo, em 2005 passou a integrar o Calendário Turístico de Pernambuco, Lei 12.899, como tal,  foi mais além em seus 31 anos de existência: divulgou e difundiu o que temos de bom nessa área, cumprindo o seu papel”. 

 
Cronologia 
Eduardo Melo explicou que a resistência à realização da parte profana da Festa da Lavadeira surgiu em 2010, a partir de uma lei municipal que proibia manifestações  além das  que  constavam na relação do TAC-Termo de Ajustamento de Conduta, com a justificativa de que a Praia do Paiva era área de turismo, lazer e moradia e que prejudicava o sossego das famílias que residiam no local. “Mesmo assim conseguimos fazê-la. Ocorre que em 2011 fomos parar no Ministério Público. Mais discussões, restrições e apesar de todas as dificuldades, ela aconteceu. Depois disso pensamos no Recife, para 2012, até como forma de evitar tantos aborrecimentos. Foi uma luta das maiores mas a Prefeitura nos cedeu o Marco Zero. Sucesso total, pois contamos com a presença de mais de 100 mil pessoas.” 

O produtor cultural esclareceu ainda que apesar das tentativas junto à Prefeitura do Recife, em 2013 e 2014 a organização da Festa da Lavadeira não obteve êxito e apenas a parte religiosa foi realizada. “A situação chegou a tal ponto que em 2015 levamos o evento para o Estado de Goiás. De lá pra cá ela não mais aconteceu. Lutamos em 2016, em 2017, e nada deu certo. Inclusive no ano passado, em audiência no Ministério Público, descobrimos uma lei municipal de 2012, onde a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho determinava a praia de Itapuama como local de realização dos festejos e profanos. A lei existia mas nós não sabíamos. O MP perguntou se gestão podia fazer lá, já que o decreto era uma realidade, mas a resposta foi não, ou seja, não mudou o posicionamento, sob o argumento de que ela sempre ocorreu  na reserva do Paiva. Como havia a proibição, ficamos na estaca zero. Agora voltamos a discutir a questão, nos reunimos no último dia 12 de abril, na Promotoria dos Direitos Humanos e Cidadania e, mais uma vez, recebemos um não. Ficou decidido, infelizmente, que 
haverá somente a parte religiosa da festa e que em 2019 volta para a praia. Com isso perdem o povo, a cultura e os grupos, que não terão mais aquele espaço para exibirem suas danças, seus cantos, seus ritmos. Sem falar na presença  de artistas." 


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